Clique Aqui

Bango

0

Coluna “Disco é Cultura” Por Diego Penaforte

Em 1970, a onda psicodélica já estava virando marola nos Estados Unidos, enquanto ainda estava arrebentando em vários outros países. À mesma época, a Jovem Guarda já não seguia no mesmo embalo, perdendo terreno para as experimentações do movimento tropicalista. Nesse contexto, o notório e bem-sucedido grupo de baile e de Jovem Guarda Os Canibais, contaminados por esse ambiente e percebendo as tendências do mercado musical à época, decidiu gravar um álbum de hard-rock psicodélico, com presença marcante de fuzz-guitar e órgão hammond. Sob nova estética e novo nome, sugestões do então presidente da gravadora Musidisc, Nilo Sergio, a banda Bango gravou seu único disco, auto-intitulado.

O álbum é bastante consistente em termos de qualidade e apresenta influências diversas, notadamente do então recente rock psicodélico americano e britânico e do tropicalismo, além de bandas como Os Mutantes, Beatles e Jimi Hendrix. Em apenas 29 minutos, a banda faz um passeio sonoro eclético, com repertório integralmente autoral, transitando por rock pesado, rock clássico, baladas e rock rural, cantando tanto em português como em inglês.

Figura carimbada em listas de melhores álbuns do rock brasileiro, o LP original de Bango está entre os mais raros do Brasil, avaliado em cerca de U$500. O disco ganhou relançamento em vinil e em CD em 2005 pelo selo alemão Shadoks , especializado em relançamentos de música psicodélica super-rara, e em 2015 apenas em LP  pelo selo português Groovie Records, contando com uma faixa inédita.

Banda Bango (1970)

Logo após a gravação do álbum, o grupo voltou a atuar como Os Canibais por poucos anos mais e se desfez. Posteriormente, dois de seus integrantes, Max Pierre e Aramis Barros, tornaram-se dois dos principais produtores musicais e diretores artísticos do país. Max produziu discos de nomes como Elis Regina, Jorge Ben, Rita Lee e Fafá de Belém. Aramis lançou Bezerra da Silva e também trabalhou com vários nomes de peso, como João Nogueira, MPB-4, Gonzaguinha e Edu Lobo.

Bango Capa

Bango – Bango (1970)

LADO A:
1/Inferno No Mundo
2/Mas Senti
3/Rolling Like A Boat
4/Motor Maravilha
5/Marta, Zéca, O Padre, O Prefeito O Doutor E Eu

LADO B:
1/Rock Dream
2/Geninha
3/Only
4/Vou Caminhar
5/Ode to Billy

Integrantes:
Aramis Barros (vocal e guittara)
Elydio Barros (vocal e baixo)
Max Pierre (vocal e bateria)
Roosevelt Tadeu (vocal, órgão e piano)
Fernando Borges (guitarra)

Capa:
Luiz Pessanha

Por Diego Penaforte
Colecionador de discos, DJ e, sobretudo, apaixonado por música. Acredita nela como um instrumento de conexão entre as pessoas e de evocação de sentimentos.

Share.

Leave A Reply