Clique Aqui

Caio Castelo “Silêncio em Movimento”

0

“Silêncio em Movimento”, disco de estreia do cantor, compositor e multi-instrumentista Caio Castelo, apresenta um novo e promissor artista para a música brasileira. Dando vida a composições arejadas e explorando sonoridades a partir de referenciais estéticos da geração mais recente da música nacional.

Imagem Post e Imagem Descatada 3

compositor integrante do coletivo artístico Comparsas da Vivenda, que nos últimos dois anos tem chamado atenção na cena de Fortaleza com sua proposta integralmente autoral, Caio Castelo vem enriquecendo sua musicalidade desenvolvendo parcerias com diversos artistas, em palcos e estúdios. Das canções “testadas” em concorridos saraus em bares e espaços culturais de Fortaleza às 12 faixas do CD, todas de autoria de Caio e parceiros, muito se passou em pouco tempo.

Apresentações para um público crescente, oportunidades de abrir shows de nomes como o referencial Lenine, seleção e premiação em importantes festivais locais, produção de um documentário sobre o coletivo, repercussão intensa nos veículos de comunicação e nas mídias sociais. Agora o disco vem à tona, como o principal fruto desses diálogos e vivências.

O ouvinte não tarda a atender ao chamado para essa viagem, por caminhos sonoros e poéticos que fragilizam estereótipos (“rock alternativo”? “Nova MPB”?) e revelam a convivência entre supostas diferenças, de modo surpreendentemente natural. Tal qual o silêncio que, no título, se põe em movimento, as canções convidam a percorrer uma variedade de imagens, signos e possibilidades. Referências amplificadas pelas opções de instrumentos e timbres, em um disco facilmente associável ao contexto da música brasileira pós-ano 2000. Mas com personalidade e atrativos próprios, sem medo dos riscos e com muita disposição para, entre o recente e o atemporal, propor outros caminhos ao eterno desafio em que se equilibra a canção.

Essa aproximação entre contrastes e extremos perpassa todo o álbum, desde a marcha da inicial “Enfim nós” (“somos um só nó, tão cego quanto o amor”) até as imagens adornadas de metais, meio latinos, meio Vaudeville, de “A banda abandona a cidade”, meio prosaica, meio inquietante, tecendo a história de um João que “assopra o café, molha o pão, sem muito alarde, que novidade atropela”, mas, ao mesmo tempo, “arrisca tudo sem pensar, segue à risca o que não quer ser”.

Não é à toa que redundância e novidade, eixos interligados na trama de todo bom compositor, dão o mote de canções como “Sobre tudo de novo”, também musicalmente um jogo de oposições, como uma inusitada marcha-rancho na era da informação. Aliterações e provocações. Do sério à sátira. “Tanto já disseram sobre tudo que já nem escuto mais / Faço aquela cara conteúdo, caricatural demais (…) Falta de assunto, de presunto, de energia, tempo e direção. Sigo presunçoso, um defunto todo perfumado de erudição”. E segue o bloco: “O que ainda resta de novo pra se dizer?”

O que ainda resta pra se dizer de novo?” Ironicamente, o próprio disco propõe e prova negar essa negação. Supera o dilema entre fazer ou não e conclama à opção por criar. Seja entre ecos roqueiros e jazzísticos em “Destoa” (“Destoa da imitação que aqui jaz (…) Assina ao fim do texto, mesmo que vá pro cesto”).  Seja a acumular “defeitos perfeitos para si”, como a personagem da sinuosa e bluesy “Desse jeito”, com participação da cantora Lorena Nunes, também integrante do Comparsas e aplaudida revelação da música recente de Fortaleza. Ou ainda nos desafios de “Azarão”, desafiando superstições no apressar de flautas, baixo e piano, nuvem negra no céu, cacos do espelho que se acaba de quebrar.

Contra o cético a decretar o fim da criação, o disco tem o lirismo de ambiência infantil e surreal de “Pacto de sombras”, a simplicidade e o humor da direta “Ei” (a busca por alguém pra ser “um par em carne, osso, piercing e distração”), o violoncelo e os ecos circenses de “Homem feito”. Os contrastes também marcam as canções em que a vertigem do amor é o impulso da palavra. A roqueira “Acostumar” é dessa leva. Sem receio de soar pop, a pergunta disposta sobre a melodia de “Porém” faria muito bem aos dials radiofônicos. Assim como os metais e o refrão de “Paraquedas”, que fecha o disco: “Paraquedas para quê se o ar / paralisa a queda e faz o olhar / cavar o céu, voar ao chão / respirar”. Como convida Caio Castelo em “Silêncio em Movimento”.

1/Enfim nós (Caio Castelo)
2/A banda abandona a cidade (Caio Castelo, Allan Diniz e João Paulo Peixoto)
3/Porém (Caio Castelo)
4/Sobre tudo de novo (Caio Castelo)
5/Desse jeito (Caio Castelo)
6/Destoa (Caio Castelo e Richell Martins)
7/Azarão (Caio Castelo e Samuel Goes)
8/Acostumar (Caio Castelo)
9/Homem feito (Caio Castelo)
10/Pacto de sombras (Caio Castelo)
11/Ei (Caio Castelo)
12/Paraquedas (Caio Castelo, Allan Diniz e João Paulo Peixoto)

Silêncio em Movimento

Caio Castelo “Silêncio em Movimento”

Conheça mais de Caio Castelo

Download “Silêncio Ambulante”

Aviso: Todas as obras disponibilizadas e distribuídas neste site são gratuitas e autorizadas por seus autores.

Share.

Leave A Reply