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Oscar Arruda “Egomaquia”

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Egomaquia aprofunda experimentação e psicodelia em canções de essência.

Guitarrista, cantor e compositor, Oscar destacou-se inicialmente no cenário musical de Fortaleza na banda de rock instrumental Somfusão, com quem gravou e lançou um EP em 2003 e fez vários shows entre 2000 e 2008. Antes disso, sua formação musical se fez em bandas de garagem nos anos 1980 e 1990, na cidade de Fortaleza.

Quando lançou seu primeiro álbum, Revolução, Oscar abriu para si várias possibilidades musicais. Trata-se de um disco heterogêneo, permeado por diversas forças sonoras em debate — uma mistura que lida com muitos materiais e verdades, provando a versatilidade do cantor e compositor. O amor se impôs, notadamente, como eixo temático, mas há também a busca por identidade, por um quinhão no mundo.

Oscar Arruda (foto Nicolas Gondim)

É justamente este o caminho que Oscar escolhe para seguir com Egomaquia. Em oito canções, o artista usa doses de existencialismo e metafísica para expressar um estado de constante busca. Mas o que exatamente ele procura? Bem, isto é algo que o disco não responde. Felizmente, o arco poético da obra revela mais a preocupação em destrinchar maneiras de perguntar e com a própria aventura da demanda. Não o ponto de chegada, não as respostas — importa, sobremaneira, o processo, as descobertas do meio do caminho.

Se isto se diz sobre o conjunto das letras, adequa-se também à construção musical. Canções longas resvalam etéreas e difusas, assinalam a zona brumosa que é o espaço dos conflitos expostos no disco. A atmosfera onírica é sinal da parceira de Oscar com os músicos da banda Astronauta Marinho, que vem fazendo um trabalho instrumental destacável na cena cearense. Felipe Lima (guitarra) e Guilherme Mendonça (bateria) assinam a produção musical de Egomaquia, que tem Caio Cartaxo como baixista e Daniel Lima no teclado e sintetizadores — estes dois também integrantes do Astronauta.

Oscar Arruda e Astronauta Marinho

O desenvolvimento das canções talvez comente que as rotas de Oscar no encontro consigo mesmo não sejam caminhos fáceis. Há dúvidas e obstáculos na navegação. Sem exatamente propor figurações míticas, as músicas chegam a paquerar com a ideia da jornada do herói, mas, assim como outras questões filosóficas, esta se desfaz na fragmentação conceitual do disco. Não há identidade possível, parece nos dizer a trama de Egomaquia, embora seja permitido, e fundamental, procurá-la.

Letras filosóficas e linguagem musical pulverizada se somam para construir um disco de areia, água e incerteza, em que pensamentos sombrios não deixam de ser extraordinários e de ter alguma leveza. A errância como método aponta para o desejo do delírio, da pequena morte de todo o caminho (é doce morrer no mar?). Um convite ao arroubo da viagem — e às suas ao mesmo tempo belas e terríveis consequências.

Rico em texturas, sobreposições e elementos sonoros, Egomaquia é um álbum de navegação pelos inconstantes mares de dentro. A batalha pessoal (ego, do latim “eu”, maquia do grego “luta”) se transforma em beleza e êxtase, traduzindo em música da melhor qualidade os sorrisos e esgares do homem contemporâneo.

Gravado e mixado entre 2015 e 2016 no Totem Estúdio, em Fortaleza, sob a coordenação do competente Yuri Kalil e com masterização de Felipe Tichauer, o segundo disco de Oscar é um domingo de tarde na praia, de olhos fechados e coração aberto. Sem medo, sem dor, sem cansaço, Oscar nos apresenta suas canções psicodélicas como símbolo de transformações pessoais e musicais — um percurso que certamente ainda vai nos oferecer muitos outros momentos sublimes.

Oscar Arruda capa “Egomaquia”

1 / Vela Branca
2 / Sol
3 / Tempo
4 / Caranava
5 / Caverna
6 / Surfista Prateado
7 / Labirinto
8 / Errante

Conheça mais Oscar Arruda

Download “Egomaquia

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